Plano de classificação

Miranda, Orlando. 1927-2010, fotógrafoData de Produção Inicial:1970
[1980]
Nível de Descrição:FundoQuantidade de Unidades de Instalação:Tipo: Cx.Suporte:PapelNome do Produtor e História Administrativa/Biográfica:Nome do Produtor: Miranda, Orlando. 1927-2010, fotógrafoHistória Administrativa: Orlando José de Oliveira Miranda, filho de Francisco José de Miranda Júnior e de Arminda Rosa Miranda, nasceu a 26 de Dezembro de 1927, no Lugar de Santo Ovídio, Freguesia de Mafamude, Concelho de Vila Nova de Gaia. Casou aos 28 anos de idade, a 29 de Maio de 1955, com a Sr.ª D. Maria José Nogueira de Oliveira, de quem teve uma filha, Rosa Maria Nogueira de Oliveira Miranda Teixeira.
Residiu a maior parte da sua vida, na Rua Rio da Tranqueira, n.º 150, Vilar do Paraíso (Vila Nova de Gaia), tendo anteriormente habitado nas Águas Férreas (junto da Coats & Clark, Mafamude), na Rua da Fonte do Touro (Vilar do Paraíso), no Bairro do Horto (Vilar do Paraíso) e na Rua Fonte dos Arrenegados, (Vilar do Paraíso).
Depois de uma infância plena de episódios difíceis, e após ter completado a 4ª classe, Orlando Miranda começou por trabalhar como servente na construção civil. Não tendo qualquer apetência por este tipo de tarefas, mas perante a absoluta necessidade de contribuir para o sustento da família, acaba por ir ajudar o pai no escritório de solicitadoria, sito na Rua de Diogo Cassells, perto da Rua de General Torres. Tinha na altura cerca de 11 anos. Pouco tempo depois, e por intermédio de um seu irmão, arranja emprego na Tipografia Maia, na Rua de Camões (Porto). Ganhava 4$00 por mês e ali permaneceu durante quatro anos.
Mas, a partir de uma simples ocorrência, o destino acabou por ditar uma mudança enorme na vida deste adolescente. Na altura, o facto de a lei obrigar à sindicalização de todos os operários, levou este jovem a ter de tirar o retrato para esse efeito. Terá procurado a Casa Fotográfica Orion, no Largo Moinho de Vento (Porto), cujos donos ficaram muito interessados nele e o empregaram de imediato. Inicialmente para ali entrou com as singelas funções de moço de recados, no entanto, rapidamente o seu expediente natural e a sua força de vontade lhe proporcionaram ocupar uma vaga de retocador. Foi nesta casa que tudo aprendeu sobre fotografia e ali permaneceu até à idade dos 18 anos. Nessa altura, e por sugestão de uma cunhada, resolveu responder a um anúncio de uma de empresa de publicidade, sita na Rua de Passos Manuel (Porto), tendo sido admitido de imediato. Nesta sua nova ocupação, o jovem Orlando Miranda tratava de reclames luminosos para cinemas e para grandes casas comerciais, como por exemplo, a Camisaria Confiança e diversos armazéns de vinhos. No entanto, esta empresa – composta por três sócios: o Pintor Pinho (professor da Escola de Belas-Artes do Porto), um negociante de ouro, de Espinho, e o Sr. Tavares da Fonseca -, acabou por se desfazer. Na sequência desta situação, começou a trabalhar com este último indivíduo, cujo escritório era ao cimo da Rua de Passos Manuel. No entanto, e porque sentia esse desejo, o Sr. Orlando Miranda passou, em 1962, a trabalhar por conta própria.
É neste novo enquadramento que inicia trabalhos de grande envergadura para empresas de referência no panorama económico nacional. Torna-se, pois, o fotógrafo oficial da EFACEC, trabalha para a UTIC, para a Termoeléctrica do Cávado, para periódicos diários como o Comércio do Porto ou o Jornal de Notícias, enceta grandes reportagens fotográficas para consagrados armazéns de Vinho do Porto (Cálem, Sandemam…) e respectivas quintas no Douro. No entanto, a grande oportunidade de reconhecimento e divulgação pública da qualidade do seu trabalho surge nos inícios da década de 70, na sequência de uma exposição sobre Vila Nova de Gaia realizada no átrio do edifício dos Paços do Concelho da Câmara Municipal, em virtude de um repto lançado pelo então presidente, o Dr. Ramiro Queirós.
Presentemente, na memória das imagens acumuladas, subsiste um fotógrafo profissional de elevada qualidade técnica e de rara sensibilidade artística, que soube perpetuar pedaços de um já longínquo passado deste concelho, hoje em rápida mutação e em franco progresso.
Orlando Miranda faleceu a 22 de fevereiro de 2010, com a idade de 82 anos.

História Custodial e Arquivística:Este conjunto documental é constituído exclusivamente por fotografias que foram encontradas, por volta de 2002, nas instalações das Oficinas Gerais da Câmara Municipal de VN de Gaia. Não havia qualquer informação associada para além do carimbo aposto no respectivo verso, que identifica a casa fotográfica “Orlando Miranda”. A Divisão Municipal de Arquivo Municipal providenciou não só o correcto acondicionamento destes positivos mediante o uso de material de conservação apropriado, como também a respectiva descrição arquivística do mesmo, tendo em vista a rentabilização do acesso e uso desta colecção, entretanto designada por “Arquivo Orlando Miranda”.Âmbito e Conteúdo:Coleção de positivos alusivos ao concelho de Vila Nova de Gaia, dividida em cinco grandes áreas temáticas correspondendo a séries factícias:
Arquitetura Religiosa (ORMI_AR); 2- Arte Sacra (ORMI_AS); 3- Equipamentos Concelhios (ORMI_EC); 4- Paisagem Rural e Aspectos Etnográficos (ORMI_PR/AE); 5- Paisagem Urbana (ORMI_PU). A primeira área temática é composta por 76 positivos, abarcando aspectos exteriores e interiores de diversos templos de variadas freguesias. A segunda área temática contém 13 positivos de imagens de santos, sobretudo das freguesias de Mafamude e de Santa Marinha. A terceira área temática é formada por 35 fotografias que ilustram diversos equipamentos municipais existentes no concelho, tais como, por exemplo, escolas, pavilhões desportivos e recintos de feiras. A quarta área temática é composta por 49 imagens alusivas a trechos quer de paisagem rural, como quintas e solares, quer aspectos consagrados da etnografia gaiense, como, por exemplo, ranchos folclóricos e produtos gastronómicos tradicionais. A última área temática aborda, em 61 positivos, aspectos de paisagem urbana, sobretudo referentes à zona envolvente da Câmara Municipal de Gaia e despectivos acessos rodoviários, testemunhando o ritmo crescente de construção aí verificado.
Desconhece-se a ordem e estrutura original do registo fotográfico efetuado por Orlando Miranda, contudo, percebe-se que houve uma preocupação criteriosa de relevar os aspetos mais significativos da realidade concelhia, pelo que as séries artificialmente agora apresentadas, pretendem refletir essa visão e nesse sentido, facilitar a sua interpretação a nível da leitura e investigação pública.
Idioma/Escrita:PortuguêsCaracterísticas Físicas e Requisitos Técnicos:Técnica de registo: FotografiaIdeográfico:FotografiaCódigo de Referência:PT/MVNG-AM/APRIV/ORMI